Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 84

LiteraLivre n º 4
mas inteiro dela. Infantilizá-lo torna mais fácil o aprisionamento e a ilusão do todo. A mulher no“ Cotidiano” é repetitiva, se gruda naquele homem e faz tudo“ sempre igual”, até o sorriso é pontual. Cheia de recomendações, como uma mãe ao garoto que vai sair. Ele“ pensa em poder parar,(...) em dizer não”, mas como evadir-se da zona de conforto / desconforto?“ Ás seis da tarde ela o espera no portão, de noite pede pra ele não se afastar e o aperta até quase o sufocar."
Aquelas que se rebelam contra o lugar social e tradicionalmente delimitado para elas são mulheres que não abrem mão de desfrutar a vida e rompem com este“ papel”. Elas são autossuficientes e nada têm a perder, fazendo o contraponto com a sofredora romântica. Em“ Ela desatinou”, viu acabar o carnaval, os dias cinzentos da rotina voltaram, mas,“ ela ainda está sambando”, num desafio á normalidade mortífera. E“ quem não inveja a infeliz, feliz debochando da dor, do pecado, do tempo perdido, do jogo acabado”. A astúcia feminina está presente em“ Folhetim”. Ela usa o homem e não é usada por ele, ela dá as cartas no jogo erótico da vida. Como negociadora pouco exigente ela se empresta em troca de“ um sonho de valsa” ou de“ uma pedra falsa”. A esse enganado ela alimenta a fantasia“ te farei vaidoso supor que és o maior e que me possuis,” mas, na manhã seguinte ele já não vale nada, pois é descartado como uma página virada de um folhetim. Em“ Mil perdões”, ela perdoa o homem por ama-la demais, perdoa-o porque ele a sufoca“ quando anseio pelo instante de sair e rodar exuberante e me perder de ti”, porque ele chora enquanto ela chora, mas é de rir, perdoa-o pelo controle que ele quer ter sobre ela ao ligar para todos os lugares de onde ela veio, e, finalmente perdoao por traí-lo. Ele é um joguete e ela, ao perdoá-lo, é pura complacência. Não depende dele, não precisa dele, ela se diverte e se basta.“ Madalena” foi pro mar, o seu homem ficou...“ a ver navios” e implora“ quem com ela se encontrar diga lá em alto-mar que é preciso voltar já pra cuidar dos nossos
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