Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | страница 43
LiteraLivre nº 4
– E você é muito velha para não ter respostas. – o menino rebateu,
provocando um sorriso inconveniente para alguém estabelecido no epicentro
de um furacão de emoções negativas.
– Certo, você venceu. Se é tão espertinho, me responda: a dor tem
endereço?
“Alessia provocou-o ao retirar a arma da bolsa...”
– Não sei...Tenho família, amigos, mas não me sinto livre.
– Crianças não deveriam se preocupar com liberdade.
“Alessia abriu a porta do quarto...”
– E por que não? Não responda! Já sei, é coisa de adultos?
– Não, menino. Todos devem lutar pela felicidade que sonhamos
desfrutar.
“Alessia levou a arma à têmpora de Jonas sem dizer uma palavra àqueles olhos...”
surpreendidos ao se notarem condenados...
– Você não entende mesmo. Uma pena. Sinto muito por nós dois.
Crianças com um vocabulário vasto somente em filmes com finais felizes,
embora sem nexo a ousadia do roteirista inexperiente.
– O que não entendo? Que ganhou uns trocados para me virar do
avesso?
“A mulher hesitou por alguns segundos, então, em uma convulsão de imagens
prismáticas, puxou o gatilho...”
– Não! Do que está falando, dona?
“Alessia se jogou no colchão ensanguentado e a culpa a inundou...”
– Você disse que quem família e amigos. Onde eles estão agora? Eles
sabem o que está fazendo?
– Não. Apenas esperam o melhor de mim, isso que importa. E você?
Alessia suspirou diante do diálogo prescindível. Para seu assombro, o
terreno tornava-se cada vez mais tortuoso. Ela se perguntava se estava
preparada para o que viria a seguir. Decerto um pensamento protelatório do
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