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LiteraLivre nº 4
Se o fim é conhecido, o que fazer para reverter equívocos? Qual o comando
apertar para desviar a rota de colisão? Perguntas que morreriam naquela
calçada tão logo solucionasse a questão singular.
– Tem razão. O final nem é coerente. Final feliz, bobagem.
– Não entendo, dona, mas queria entender.
Havia interesse genuíno na explicação sugerida em tom de segredo.
– A vida não é um conto de fadas, garoto. É tenho a dizer e é o que
você precisa ouvir.
– Não é bobagem. O final feliz é tipo uma regra, sacou?
O garoto cutucou-a com profundidade, atitude que a idade não deveria
lhe conceder.
– Regra?
A voz da mulher atuou como eco diante da surpresa.
– Sim! Mas isso não muda nada, né? A vida real é o que conta. Sei disso
por que algumas pessoas não acabam bem.
O que era inusitado se tornou espanto.
– Do que está falando, garoto? Não, espere. Não me diga que…
Após longos anos esquecida em um túmulo não mais reverenciado, a
intuição recebeu o valor devido. Estar ia ela diante de uma tragédia dirigida por
um sádico que queria ser pai? Jonas, a fim de reacender a chama da paixão
sitiada por presunçosas prioridades, seria capaz de jogar tão sujo? A partir das
questões suscitadas, sua alma não mais dividia o mesmo espaço que seu corpo
naquela calçada. O ceticismo cedera lugar à dúvida, e a dúvida, a certeza.
– Minha vizinha morreu sozinha.
– O fedelho enfatizou a última
palavra.– Um treco no coração, acho. Isso não é bom. Não é um final feliz.
– Garoto, você é muito jovem para falar em “finais”. Pense em jogar bola
ou coisa que o valha, mas deixe de ser irritantemente adulto, por favor! A
brincadeira acaba aqui. Vá e não volte, é o que peço ainda gentil.
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