Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 113
LiteraLivre nº 4
Uma das moradoras, apesar de idosa, muito ágil chamada Maria
Baianinha, conversava com outros voluntários que estavam lá comigo
contando histórias. Pois ela os largou falando sozinhos e saiu pelo asilo
como se tivesse algo muito importante para fazer. E tinha.
Daqui a pouco passa a Maria empurrando uma cadeira de rodas com
uma senhora, na maior velocidade. Quando olho novamente, lá está ela
empurrando outra cadeira, com um senhor semiparalisado nela - até
agora não sei se de doença ou de medo pela velocidade com que ela o
conduzia.
Fiquei muito curiosa e resolvi seguir aquele cortejo animado e canhestro.
Virei o corredor e dei de cara com uma fila enorme de moradores do
asilo em frente ao ambulatório. Nessas alturas a Dona Lucila já estava lá
esperando sua vez.
Eu não me contive e perguntei: ¬ Mas, é algum tipo de remédio
específico que vocês tomam aqui, algo para depressão, ou insônia?
Eu, maliciosa, pensei: velhinhos e velhinhas querendo ficar chapados! E
ela, com a maior paciência: ¬ Não, minha filha! Eu tomo remédio para
pressão, este senhor na minha frente é diabético. Cada um toma o
remédio que precisa.
Entendi: o grande barato destes senhores, não é ficar doidão, é ficar
vivo!
108