Revista LiteraLivre 1ª Edição | Page 62

LiteraLivre nº 1 O Diabo, o Bruxo e a Permissão do Deus Todo- Poderoso Gerson Machado de Avillez - Rio de Janeiro Século XIV, Algum lugar de Portugal Henrique Keystone era valoroso cavalheiro real mesmo após a morte do Rei Felipe e combatente da heresia no mundo. Não havia inquisição, mas desde quando os execrável Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici, os templários, foram entregues por heresia pelo rei Filipe, o Belo, e o papa Clemente V. Henrique tratou de cumprir os mandatos de prisão na região onde atuava e, ele mesmo, prendeu Jacques de Molay, o último grão-mestre dos templários. Da fatídica sexta-feira 13 de 1307, as severas acusações aos templários suscitaram revolta popular pois eles tripudiariam sobre a cruz e realizariam rituais de sodomia secretamente e, segundo alguns, até mesmo envolvendo camponeses que lhes foram vítimas. O fato, porém, é que Henrique pouco acreditava nisso tudo quando retornou a seu lar, em Portugal, pois suas convicções diziam que eles talvez tivessem monopolizando economias de modo a colocar em risco a hegemonia do reinado de Filipe, o Belo. O Priorado de Sião não se manifestou, mas dias antes rumores diziam que eles pegaram muitas relíquias os quais os templários guardavam, relíquias estas dentre os quais a misteriosa lenda do Santo Graal. Fosse fato ou mais um rumor infundado que permeava a população, Henrique sabia que alguns dos templários fugidos haviam se escondido em Portugal junto a um líder que era membro do Priorado de Sião, o que não lhe fazia sentido uma vez que o Priorado que fundou a Ordem Templária, não era igualmente acusada de heresia e tais crimes insidiosos cometidos pelos infames cavalheiros. Era uma sexta-feira quando Henrique perfilou os fugitivos a distância e, em silêncio, seguiu os acossados cavalheiros extintos. Havia um distinto homem de capuz branco aparentemente cercado por um mote desses cavalheiros que estavam descaracterizados de suas vestes padrões, mas reconhecíveis por alguns apetrechos enquanto se esgueiravam soturnamente pelos vales da região de Trás-os-Montes de terras lusófonas. Ademais ao cair da noite, Henrique que havia desviando-se de seu trajeto junto a mais dois cavalheiros que era de sua mesma região observavam agora no escuro os homens caminharem com tochas acessas até uma cabana aparentemente abandonada onde acenderam uma fogueira e o qual tons sinistros esfacelavam qualquer esperança de que não fosse nada austero daqueles cavalheiros que haviam sucumbido em sua capitulação. Talvez fossem salteadores que se apossaram de armamentos e armaduras dos cavalheiros, indagou um dos amigos de Henrique. Porém, numa olhada mais próxima contemplaram que nove funestos homens 57