LiteraLivre n º 1
acesos, meu carro está esperando para mim.
Durante essa viagem, eu cheguei em Souk Ahras que já era noite avançada e encontrei dificuldades para achar um quarto para descansar. Tive a sorte de ver nas ruas desertas um funcionário público, que se ofereceu para chamar os poucos hotéis na cidade, e me arranjar uma cama. Ainda me lembro da estalagem esquálida, cujos lenços tinham definitivamente perdido sua inocência e foram tão endurecidos para ficar contra a parede, na posição vertical, sem cair. Eu estava completamente vestido na cama, grato à noite fria. Dormi pouco, ainda abalado pela viagem na tempestade, pela visão, os tiros, a imagem daquele jovem morrendo. Acordei e retomei o sono, pelo menos, quatro ou cinco vezes: a noite nunca passava. No dia seguinte, a tempestade se acalmara e o céu estava se abrindo, o vento não trazia mais nuvens. Assim como não havia luz suficiente, eu continuei a viagem para Argel.
Na minha longa estadia nesses países fui capaz de descobrir, a partir de livros e conversas, as lendas que são contadas, sobre aparências semelhantes ao fantasma que eu tinha visto naquela noite.
O“ diabo da Numídia” materializa-se como uma larva ou um fantasma, em ocasiões especiais, para prever- ou evocar- eventos desfavoráveis, em certos vales as montanhas entre a Tunísia e a Argélia. A gente diz que o diabo aparece na Numídia quando alguém tem que morrer de uma morte violenta, mas também para abrir brechas temporais, aberturas que permitem conhecer o passado ou o futuro.
Nesse noite de tempestade, a larva não tinha vindo para me levar, ou talvez... Quem sabe? O que é certo, é que a morte tomou uma vida naquele lugar, naquela hora- mas em que ano, em qual dos muitos mundos paralelos?
O diabo da Numídia lá estava.
www. liutprand. it
56