Revista LiteraLivre 1ª Edição | Page 63

LiteraLivre n º 1
presentes pareciam realizar algum ritual tenebroso em torno da fogueira quando revelouse ter uma camponesa e um camponês que foram agarrados de supetão quando saia da cabana. Agora desnudos a mulher e o homem eram sodomizados pela infâmia dos cavalheiros, confirmando todos os temíveis rumores e acusações. Aquele era o momento de ataque, os cavalheiros extintos estavam vulneráveis sem suas armas enquanto realizavam o infame ato sexual forçado com sinais de estarem em meio a uma adoração vil e execrável de algum demônio agora desvelado e tendo Deus e as estrelas como testemunhas.
Henrique desembainhou sua espada e deu ordem a seus amigos cavalheiros descerem a colina, cada qual de um lado para surpreendê-los num ataque que os renderiam ou os matariam. De modo que sucedeu os deixando em polvorosa.
De imediato dois homens que coitavam o camponês foram mortos no ato sexual com seus membros sexuais ainda eretos vergonhosamente, assim como os que realizavam o coito na mulher que fora degolada por um dos que tiveram tempo de pegar uma adaga.
Seguiu-se um breve embate que pela surpresa fora a derrocada dos infames homens, mas que deu tempo para que o homem de capuz branco, porém, fosse protegido de tal modo que dois fugiram com ele carregando algo numa bagagem sobre sua montaria.
A perseguição- agora justificada- que seguiu, fora por montes sob a luz do intenso luar, os ignóbeis uma vez expostos mais do que nunca estavam dispostos a matar ou morrer pois seus atos infames não resistiriam a luz da exposição do que antes lhe era realizado em oculto. Estropiados pela longa jornada o qual eram fugitivos oficiais Henrique engendrou um ataque quando estes adentram as ruínas de um antigo templo na região.
Não houve tanta resistência desta vez, os algozes dos pobres camponeses estavam encurralados de modo que os dois cavalheiros que vociferavam a ojeriza pelo mando de prisão davam tempo para que o líder fugisse por entre as ruínas abandonadas naquela região.
Mas um breve embate se seguiu com a morte dos dois fugitivos até que Henrique empunhando sua espada seguiu firmemente encontrando-o exasperado, evocando palavras não conhecidas quando fora rendido. Com envoltura o homem parecia urgir palavras com um olhar funesto que inebria a si próprio num tom sinistro quando ergueu uma espécie de amuleto e disse em português,“ agora conhecerão o mundo segundo nossa visão, nosso desejo e vocação”.
O homem então gargalhou provocando arrepios mesmo nos bravos companheiros de batalha, algo que subia até a cabeça como um frenesi tenebroso. O homem virou então o amuleto e degolou a si próprio derramando seu sangue pagão sobre o mesmo artefato e caiu seu corpo sem vida junto ao objeto.
Henrique abaixou-se e pegou o amuleto para constatar que fora uma peça roubada anos atrás de um cardeal, Alexis Anor Zanini, e agora usada para rituais pagãos, verificou então o corpo e abaixou por completo o capuz iluminando seu rosto com as tochas que carregavam para perceber que era Rene de Hugolin, um membro pouco conhecido do Priorado de Sião, o dito que teria desaparecido após a excomunhão dos templários.
Perplexo, Henrique guardou o artefato o envolvendo num tecido e seguiram para o exterior daquele lugar quando ao observar o lugar algo não parecia se enclavinhar nos rincões de sua realidade. O famélico homem morto parecia ter lhes conduzido a um lugar
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