Revista LiteraLivre 19ª edição | Seite 93

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Isabel C S Vargas Pelotas/RS Criando fantasmas O mundo de hoje é muito diferente de anos atrás, quando a internet ainda não havia surgido, conectando pessoas de todas as partes do planeta. Em compensação, quanto mais se conecta ao que está distante, mais se afasta dos que estão próximos. O homem é um ser social, predisposto a viver em grupo. Para isso é necessário diálogo, concessões para poder chegar a um ponto de equilíbrio e viver em harmonia. Essas coisas demandam predisposição interna a vencer medos e barreiras. O homem tem que se mostrar por inteiro, de peito aberto, com seus erros e acertos, qualidades e defeitos. Correr riscos de ser aceito ou rejeitado. Isso dá medo. Então, ele cria subterfúgios. A proximidade mostra ambos os lados. A internet, apesar de todos os benefícios no campo tecnológico, humano, social, comercial, industrial, médico, dá margem à que a pessoa se esconda. Existe uma dualidade. Ela mostra só o que deseja que apareça. Na internet todos podem ser belos, sem defeitos, sem rugas, parecer mais novo, criando uma armadilha para o interlocutor. Quanto mais vida na internet, menos vida olho a olho, real. Muitas vezes a pessoa nem existe como se mostra. As pessoas vivem prisioneiras delas mesmas ou de um embuste Criam fantasias e se perdem nelas. Vivem só na tela e não na vida real. Deixam os afetos, os sentimentos escorrerem pelos dedos que vivem à procura das teclas para criarem um universo imaginário. Isso é fruto de insegurança, medo , e ao invés de enfrentá-los os tornam maiores por alimentá-los. Agem como insensatos. Como crianças que fazem travessuras sem conseguir saber o porquê de fazerem. Só que a idade já não corresponde, Adultos tem que enfrentar a realidade e suas consequências. Fantasmas não existem. E se alguém os cria, cabe a si mesmo desmistificá-los. [90]