LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Isabel C S Vargas
Pelotas/RS
Criando fantasmas
O mundo de hoje é muito diferente de anos atrás, quando a internet ainda não
havia surgido, conectando pessoas de todas as partes do planeta. Em
compensação, quanto mais se conecta ao que está distante, mais se afasta dos
que estão próximos.
O homem é um ser social, predisposto a viver em grupo. Para isso é necessário
diálogo, concessões para poder chegar a um ponto de equilíbrio e viver em
harmonia.
Essas coisas demandam predisposição interna a vencer medos e barreiras.
O homem tem que se mostrar por inteiro, de peito aberto, com seus erros e
acertos, qualidades e defeitos. Correr riscos de ser aceito ou rejeitado. Isso dá
medo. Então, ele cria subterfúgios.
A proximidade mostra ambos os lados.
A internet, apesar de todos os benefícios no campo tecnológico, humano, social,
comercial, industrial, médico, dá margem à que a pessoa se esconda.
Existe uma dualidade. Ela mostra só o que deseja que apareça. Na internet todos
podem ser belos, sem defeitos, sem rugas, parecer mais novo, criando uma
armadilha para o interlocutor.
Quanto mais vida na internet, menos vida olho a olho, real. Muitas vezes a
pessoa nem existe como se mostra.
As pessoas vivem prisioneiras delas mesmas ou de um embuste Criam fantasias
e se perdem nelas.
Vivem só na tela e não na vida real.
Deixam os afetos, os sentimentos escorrerem pelos dedos que vivem à procura
das teclas para criarem um universo imaginário.
Isso é fruto de insegurança, medo , e ao invés de enfrentá-los os tornam maiores
por alimentá-los.
Agem como insensatos. Como crianças que fazem travessuras sem conseguir
saber o porquê de fazerem.
Só que a idade já não corresponde, Adultos tem que enfrentar a realidade e suas
consequências.
Fantasmas não existem. E se alguém os cria, cabe a si mesmo desmistificá-los.
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