LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
advinha de uma instalação militar secreta onde experimentos misteriosos eram
realizados. Tão logo se organizou uma missão da resistência afim de sabotar o
laboratório militar e expor a verdade tão escasseada a população, sem saberem a
origem misteriosa dessa substância maligna.
O objetivo da missão era identificar alvos, colher dados e sabotar os
esforços daquele governo privado de manter a população sob um controle
absoluto que potencializava aquele poder corrupto ilimitadamente.
Ao seguirem o lastro do vazamento tóxico o qual turvava a consciência e
inteligência da população se percebia o padrão comum do aumento do suicídio
estatístico, depressão e outros crimes associados a insegurança e uma baixa
qualidade de vida. A letargia social sucedia a negatividade que se tornou tão
aguda os quais pais deixavam filhos morrerem famintos e simplesmente as
pessoas nada faziam aos abusos de poder das autoridades autoritárias que eram
diretamente responsáveis aquilo. A passividade acrítica se tornou o normativo
daqueles que defendiam que jogassem nossos cérebros no lixo e engolir tudo que
quisessem.
Sophie a medida que avançava nas vísceras daquela cidade do interior
encontrava famintos à míngua e corpos em putrefação sem um enterro digno,
para todos os efeitos a população gradualmente se tornava uma massa de
mortos-vivos destituídos de mínima força vital para o deleite de seus
aproveitadores governamentais que chamavam as pessoas diferentes de
aberrações, mesmo as mais aptas.
Ao testarem as águas do lençol freático da região logo se constatou que
mesmo a fauna definhava levando a morte os mais variados seres por simples
ausência de vontade de viver. Manoel fitou então num beco um soldado a
esbofetear um morador que mesmo tendo vantagem física sobre o soldado
desarmado ele apenas se ajoelhou ante ele e submissamente implorou para
mata-lo. O soldado então tirou uma pistola e lhe dando na mão ao perceber que
o homem estava tão suscetível a sugestão apenas disse.
— Se mata, acabou.
O homem então assentiu com o rosto e desferiu um tiro contra si mesmo
vindo a cair morto em meio a lama. Eles eram tão suscetíveis a sugestão que
como na hipnose se dissessem a eles que eram cães eles agiriam como tal, de
modo que ficavam entregues a desordem das arbitrariedades daqueles os quais
diziam o que deveriam ser e fazer. Destituídos de vontade ficavam a mercê da
vontade alheia.
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