LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Carolina levantou, com a cara amassada. Sheik a seguia, miando. Sam
pediu desculpas pelos cigarros, sabia que a amada os odiava. “Está sem sono?”.
Sam afirmou com a cabeça: “quente demais, como você consegue dormir?”
Saíram da varanda, foram para o sofá. Sheik miava. Carolina estava
grudenta, corpo azulado, frouxo dentro do pijama com estampas de frutinhas
cítricas. A cor azulada da pele de Carolina era enaltecida pela luz da TV.
“Estou com dor de cabeça, calor demais Carol, não está sentindo?”
“Não, fiquei preocupada quando não te senti na cama. O que estava
assistindo?”
“Campeonato de xadrez xamânico em Xangai”.
“Sério?”
“Não, estou brincando. Haha, vem, vamos dormir”.
Voltaram para o quarto. Sam pediu carinhosamente para deixar a janela
semiaberta, alegou que morcegos não voavam tão alto assim. Carolina relutou
mas cedeu. Em gratidão recebeu um beijo na nuca. O gato se aninhou nos pés
das mulheres. “Sai Sheik”, disse Sam, “vai para lá, não quero que esquente meus
pés”.
Lá fora a Belina velha fez tchum n’água lodosa do córrego.
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