Revista LiteraLivre 19ª edição | Seite 198

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 A dupla foi simbora para a cachoeira. Já na beira das águas, o menino de Viçosa começou a contar para o amigo como surgiu aquele lugar. Seus avós diziam que ali existia uma tribo de índios e dois irmãos eram apaixonados pela mesma moça. Ela, agoniada por ter que escolher entre eles, decidiu se jogar ao rio. Morrendo, virou a cachoeira que corre entre as duas cabeças da serra, que são os dois irmãos, pois de tanta tristeza eles se transformaram em pedras quando souberam da morte da amada. Assim os três ficaram juntos para sempre! No momento em que ouviu a lenda, o menino da cidade grande ficou assustado e não queria mais brincar por ali, mas logo foi convencido de ficar ouvindo a história de Zumbi, o escravo mais corajoso dos Quilombos! Ele protegia a cachoeira, porque tinha sido seu esconderijo nas fugas, quando estava em perigo o escravo corria para lá e entrava nas águas, ficando invisível! Só sendo descoberto por ter sido denunciado... Sem medo agora os dois se danaram a nadar, brincando o dia todo. O único problema foi disputar as frutas com os pássaros, mas isso foi tarefa para o estilingue. Pronto! Mais duas diferenças entendidas: com toda aquele mundo a explorar não sobrava tempo para o videogame ou celular, só o estilingue valia lá. De volta à escola, a notícia de um novo projeto deixou todo mundo ouriçado, eles estudariam coletivamente a cultura alagoana. Cada turma ficaria responsável por contar a história de um município. Era a oportunidade que Xico e Nato precisavam para mostrar que ser diferente não é ruim! Xiquinho correu para pedir a professora que sua turminha representasse Viçosa. Quando a aula começou ela perguntou ao grupo se todos concordavam. O sim foi geral! Após as escolhas das cidades, era hora de montar as apresentações. As turminhas se reuniam cotidianamente no pátio da escola para organização do evento. Depois de alguns encontros os professores perceberam um problema: a história das cidades eram enormes, não dava pra falar sobre tudo! Carminha, uma menina tagarela do quarto ano, sugeriu que cada turma criasse uma música sobre a cidade que apresentaria. Todos entraram na discussão e cada um queria dar uma solução. Surgiu tudo quanto foi sugestão, mas quando falaram em dança... Xiquinho juntou a fome com a vontade de comer, assegurou que a melhor maneira era apresentar as cidades em cocos de roda e, para conseguir apoio, sabidamente lançou um desafio: a turma vencedora levaria toda a escola em passeio para o município que representou. Vixe! A meninada estrondou em gritos de valia à ideia e assim o projeto ganhou vida e nome: Meu coco tem história! [195]