LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
A dupla foi simbora para a cachoeira. Já na beira das águas, o menino de
Viçosa começou a contar para o amigo como surgiu aquele lugar. Seus avós
diziam que ali existia uma tribo de índios e dois irmãos eram apaixonados pela
mesma moça. Ela, agoniada por ter que escolher entre eles, decidiu se jogar ao
rio. Morrendo, virou a cachoeira que corre entre as duas cabeças da serra, que
são os dois irmãos, pois de tanta tristeza eles se transformaram em pedras
quando souberam da morte da amada. Assim os três ficaram juntos para
sempre!
No momento em que ouviu a lenda, o menino da cidade grande ficou
assustado e não queria mais brincar por ali, mas logo foi convencido de ficar
ouvindo a história de Zumbi, o escravo mais corajoso dos Quilombos! Ele
protegia a cachoeira, porque tinha sido seu esconderijo nas fugas, quando estava
em perigo o escravo corria para lá e entrava nas águas, ficando invisível! Só
sendo descoberto por ter sido denunciado...
Sem medo agora os dois se danaram a nadar, brincando o dia todo. O único
problema foi disputar as frutas com os pássaros, mas isso foi tarefa para o
estilingue. Pronto! Mais duas diferenças entendidas: com toda aquele mundo a
explorar não sobrava tempo para o videogame ou celular, só o estilingue valia lá.
De volta à escola, a notícia de um novo projeto deixou todo mundo
ouriçado, eles estudariam coletivamente a cultura alagoana. Cada turma ficaria
responsável por contar a história de um município. Era a oportunidade que Xico e
Nato precisavam para mostrar que ser diferente não é ruim!
Xiquinho correu para pedir a professora que sua turminha representasse
Viçosa. Quando a aula começou ela perguntou ao grupo se todos concordavam. O
sim foi geral!
Após as escolhas das cidades, era hora de montar as apresentações. As
turminhas se reuniam cotidianamente no pátio da escola para organização do
evento. Depois de alguns encontros os professores perceberam um problema: a
história das cidades eram enormes, não dava pra falar sobre tudo!
Carminha, uma menina tagarela do quarto ano, sugeriu que cada turma
criasse uma música sobre a cidade que apresentaria. Todos entraram na
discussão e cada um queria dar uma solução. Surgiu tudo quanto foi sugestão,
mas quando falaram em dança... Xiquinho juntou a fome com a vontade de
comer, assegurou que a melhor maneira era apresentar as cidades em cocos de
roda e, para conseguir apoio, sabidamente lançou um desafio: a turma vencedora
levaria toda a escola em passeio para o município que representou.
Vixe! A meninada estrondou em gritos de valia à ideia e assim o projeto
ganhou vida e nome: Meu coco tem história!
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