Revista LiteraLivre 19ª edição | Seite 197

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Rosely Frazão Maceió/AL Xico Arruá, o menino do caçuá Dia desses, Xiquinho Aruá, o menino mais sabido das Alagoas, estava na escola Jorge de Lima, que ficava no centro da cidade de Maceió, conversando com coleguinhas na hora do intervalo. Passando o olho em Renato, seu melhor amigo, percebeu ele entufado por causa de Pedro, o zombador do segundo ano. Pedro dizia aos quatro cantos da escola que quem morava no interior era abestado! A fim de resolver a situação do amigo, Aruá foi ter um dedo de prosa com o provocador, mas o arengueiro foi logo gritando que não adiantava falação, era só observar: uma pessoa que calçava alpercata no lugar de tênis, morava lá na baixa da égua em vez de vir morar na cidade grande e ainda preferia brincar de estilingue mesmo tendo videogame e celular, só podia ser … Xiquinho calou e foi pra casa barreado com aquela fala. Pensou, pensou, pensou e decidiu pedir a Renato para passar um final de semana em sua casa. O menino queria entender porque seu amigo gostava de coisas tão diferentes dos outros garotos. Ao chegar na escola, não perdeu tempo e foi logo fazendo o pedido ao amigo, que o aceitou com muita alegria. A semana se passou e eles partiram para Viçosa. Já no caminho, Xico ficou admirado com a lindeza da natureza: céu bem azulzinho, bicharada correndo solta... No sítio da família de Renato, foi só surpresa. Assim que entraram, largaram os calçados, quer dizer, Renato jogou as alpercatas no terreiro e subiu numa enorme mangueira. Enquanto isso, o visitante ainda tentava tirar seu tênis. Pronto! Estava explicada a preferência pela alpercata… Lá do alto da mangueira o amigo apontava ao longe a Serra Dois Irmãos, lugar que guardava uma linda cachoeira e muitos mistérios. O menino da cidade ficou curioso e pediu para ir ao lugar assim que acordassem no dia seguinte. Pedido aceito! Junto com os primeiros raios do sol, Renato entrou no quarto chamando o companheiro. O café da manhã estava quentinho sobre a enorme mesa. De pé, seu José, o pai, começou uma oração para agradecer toda comilança. Depois Cirilo, seu irmãozinho caçula fez questão de completar, agradecendo a galinha pelos ovos, a vaca pelo queijo, a manteiga e o leite, e ao milharal pelo cuscuz. Continuando, todos se assentaram, comeram e partiram para seus afazeres. [194]