LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Rosely Frazão
Maceió/AL
Xico Arruá, o menino do caçuá
Dia desses, Xiquinho Aruá, o menino mais sabido das Alagoas, estava na
escola Jorge de Lima, que ficava no centro da cidade de Maceió, conversando
com coleguinhas na hora do intervalo. Passando o olho em Renato, seu melhor
amigo, percebeu ele entufado por causa de Pedro, o zombador do segundo ano.
Pedro dizia aos quatro cantos da escola que quem morava no interior era
abestado! A fim de resolver a situação do amigo, Aruá foi ter um dedo de prosa
com o provocador, mas o arengueiro foi logo gritando que não adiantava falação,
era só observar: uma pessoa que calçava alpercata no lugar de tênis, morava lá
na baixa da égua em vez de vir morar na cidade grande e ainda preferia brincar
de estilingue mesmo tendo videogame e celular, só podia ser …
Xiquinho calou e foi pra casa barreado com aquela fala. Pensou, pensou,
pensou e decidiu pedir a Renato para passar um final de semana em sua casa. O
menino queria entender porque seu amigo gostava de coisas tão diferentes dos
outros garotos.
Ao chegar na escola, não perdeu tempo e foi logo fazendo o pedido ao
amigo, que o aceitou com muita alegria. A semana se passou e eles partiram
para Viçosa. Já no caminho, Xico ficou admirado com a lindeza da natureza: céu
bem azulzinho, bicharada correndo solta...
No sítio da família de Renato, foi só surpresa. Assim que entraram, largaram
os calçados, quer dizer, Renato jogou as alpercatas no terreiro e subiu numa
enorme mangueira. Enquanto isso, o visitante ainda tentava tirar seu tênis.
Pronto! Estava explicada a preferência pela alpercata…
Lá do alto da mangueira o amigo apontava ao longe a Serra Dois Irmãos,
lugar que guardava uma linda cachoeira e muitos mistérios. O menino da cidade
ficou curioso e pediu para ir ao lugar assim que acordassem no dia seguinte.
Pedido aceito! Junto com os primeiros raios do sol, Renato entrou no quarto
chamando o companheiro. O café da manhã estava quentinho sobre a enorme
mesa. De pé, seu José, o pai, começou uma oração para agradecer toda
comilança. Depois Cirilo, seu irmãozinho caçula fez questão de completar,
agradecendo a galinha pelos ovos, a vaca pelo queijo, a manteiga e o leite, e ao
milharal pelo cuscuz. Continuando, todos se assentaram, comeram e partiram
para seus afazeres.
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