Revista LiteraLivre 19ª edição | Seite 193

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Rogerio Luz Rio de Janeiro / RJ Migrante I. Aos que buscam refúgio, digo que nasci de uma tarde de exílio, da árvore sem memória de uma ilha porque me isola na dualidade cúmplice o que amo. Ao sol agrada a pedra cercada pelas águas o marulho do vento na onda os cabelos do pensamento que alguma aurora desvelou. Na tarde das árvores, na tarde expirei sufocado pela fumaça de navios sem porto um sol poente mergulhado em jarras vermelhas uma pedra sem corpo. II. Descubro a meu redor caminhos estranhos: um traço no litoral desconhecido cada passo um desconcerto de mundo cada gesto mãos sem adeus o rio liso sob colinas de espuma. Em que lembranças se escondem o degrau quebrado a coluna da varanda interrompida a porta abandonada a janela por onde não se fecha mais o vento? Minha voz faz companhia ao esquecido [190]