Revista LiteraLivre 19ª edição | Seite 192

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Rogério Costa Cornélio Procópio/PR Apenas um dia triste A princípio os ouvidos ouvem, os olhos lêem, A alma se embriaga e o coração se apaixona. Mas é o olhar que decide e o contato que revela Se o sentimento é unilateral ou recíproco. É quando a alma percebe se a outra concebe Ou se foi um dúbio, um triste equívoco. O poeta que outrora sorria agora chora. Foi-se embora o anjo, a vida, o amor. Ficaram o silêncio, a lembrança e a dor. Uma dor que se manifesta em lágrimas E por vezes em gemidos sufocados, Quebrando o silêncio e a inércia A dor de um coração moído pelo pior desprezo, Aquele que vem disfarçado de alguma atenção, Na tentativa de livrar-se da culpa ou do peso. Porém não vou embora pra Passárgada, Nem pra Sodoma, nem pra Gomorra. Mas pra outro lugar, ainda que eu morra! Não sou Bandeira, não sou Machado, Nem sou Pessoa, nem sou Amado. De Deus eu preciso, por isso rezo. Enquanto eu rezo, Minguando aos poucos o coração, Esvai-se o que resta de razão. Enquanto eu rezo... Enquanto eu... Enquanto... Louco... Eu... Ω... [189]