LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
o latido do cão ecoa ainda nas paredes
balsas infladas sobre o mar
à espera do inimigo –
jazigo de meu canto.
III.
Amo o que se perde, o que erra
o que se destrambelha.
Quis o perfeito
e fui condenado por isto.
Quis a pureza
quando esperavam de mim uma falha.
Quis a copa da árvore
para não ver contorcida raiz.
Quis o som estelar
quando o ruído ameaçador
crepitou na cabine ao lado.
Gritos de silêncio do verbo
quem pode minorar
o desamor necessário?
Não ser como os deuses.
[191]