LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
E porque não podemos evitar amar sem sermos mutilados na alma, o amor é
vadio, promíscuo e passa por várias mãos, até que quando toca um espírito, e se
revigora, e revive, pode ser que tenhamos que repetir palavras, declarações de
afetos usados, oferecer aquelas velhas músicas que antes foram dedicadas às
pessoas erradas.
Parece então desprovido de valor, porque nos convencem em algum
momento da vida que precioso é o intocado, o virgem, o único. Mas justamente
por sermos tão rodados, deixamos isso de lado e descobrimos que era dessa
crença que vinha a dor. Podemos então sem culpa repetir, amar de novo e
descobrir, que o amor é uma trajetória, às vezes só, às vezes acompanhado,
nasce com a gente e segue.
Porque o amor é uma relíquia.
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