LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Lívia Cout
Maricá/RJ
Todo Texto que Escrevo é Sobre Meu Corpo
Todos os dias quando acordo, encontro meu corpo dormindo, ao meu lado.
Nunca consigo sair da cama. Eu digo “Ei, vamos lá, minha alma precisa se
reconectar com suas vestimentas! ” Mas meu corpo permanece lá, inerte. Parece
estar sonhando. Quando finalmente me visto de mim, pergunto: “E aí, você
sonhou com o quê? ” Mas ele nunca responde. Meu corpo só sai da cama, escova
os dentes, senta na mesa com o mesmo olhar perdido de sempre, pega um café
e o beberica em silêncio. Ele precisa de uns 40 minutos religiosos para o mal
humor da reconexão ter ido embora. Vocês percebem? Meu corpo é meio...
egoísta. Ele só sabe pegar, sugar e nunca se doar. Ele perambula para a cozinha
[128]