Revista LiteraLivre 19ª edição | Página 130

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Letícia Ucha Porto Alegre/RS O cão que sabia demais Isa teve dois filhos que não lhe visitavam nunca. Do alto dos seus mais de setenta anos sentia o peso da solidão.Saía todos os finais de tarde com seu fiel cão Bob um Golden Retriever de pelo alto. Para agitar sua vida resolveu entrar para um curso de informática e passou a fazer amizades pela internet. Conheceu um homem misterioso de sua idade, João, e após algumas semanas combinaram de encontrar-se pessoalmente. Saíam para caminhadas com Bob, cachorro de Ana e algumas noites ele ia jantar na casa dela. Bob costumava lamber os pés de João e ele odiava isto. A residência de Isa era cheia de objetos de arte e ela usava muitas joias. Uma noite entre um drinque e outro ela levantou-se e deixou sua agenda à vista onde na última página estava a senha do cofre. João astuto, memorizou. Ele tratou de servir mais whisky aos dois para que Isa ficasse mais vulnerável, mas ela era resistente à bebida. Ela foi preparar algo para os dois comerem enquanto isso ele aproveitou-se para subtrair algumas joias do cofre de Isa. João foi surpreendido por ela bem na hora do furto e houve luta corporal. Bob houve os gritos de sua dona e vem socorrê-la. O homem pegou um castiçal que estava próximo e desfere um golpe em Isa; Bob desesperado, morde a mão de João que sai sangrando e rasga um pedaço de sua camisa e sai, deixando a porta do apartamento aberta. Logo chegaram vizinhos atraídos pelos gritos. O idoso consegue fugir com algumas joias e vai a uma farmácia comprar curativos. Nela estão dois policiais que estranham a reação do mesmo e se aproximam para saber o que houve. João nem responde e causa dúvidas...A polícia é chamada a casa de Isa e impressões digitais são colhidas e João é intimado a depor, pois fora o último a ser visto com ela. Como Bob ficara sem dono e tinha fama na vizinhança de ter bom faro foi adotado pela polícia. No dia do depoimento quando viu João, o cão saltou em direção ao agressor de sua dona, latindo fortemente. Estranharam, pois ele era manso. O depoente mentiu sobre a natureza do seu ferimento e após perícia foi descoberto que ele fora atacado por um cão o que só aumentou as suspeitas. Dias passaram e um traficante foi surpreendido vendendo as joias de Isa e confessou tê-las obtido através de João que foi descoberto e indiciado. [127]