LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
A
partir
deste
momento,
a
personagem narra sua luta contra a
doença
mental,
incluindo
suas
internações, tentativas de suicídio e
sessões de eletrochoque. A jovem ainda
narra a descoberta de sua sexualidade e
como se sente em relação às pressões
sociais para casar-se, principalmente,
por ela julgar seu atual namorado como
o homem potencialmente errado para
ser seu marido. A obra termina com
Esther em uma entrevista que decidirá
por sua saída ou não do hospital
psiquiátrico.
Plath abordou livremente em sua
obra temas como a morte, a depressão,
o suicídio, o papel da mulher na
sociedade e até sobre sexo do ponto de
vista feminino. Por tratar destes temas,
a autora passou a ser considerada um
ícone feminista, justamente no período
em que o movimento estava surgindo,
na década de 1960.
A
obra
de
Sylvia
Plath
é
notadamente
marcada
por
temas
confessionais, assim como a de Robert
Lowell (citado no início do texto). A
fragilidade
mental
sempre
esteve
presente em seus poemas. Quando nos
deparamos com o seu romance,
observamos trechos em que a autora
expõe sua doença mental, revelando
detalhes de seu tratamento. Ela ainda
nos apresenta a sociedade da década de
60 sob a ótica feminina.
O estilo confessional apresenta
algumas características predominantes,
além de temas baseados na vida de
quem
escreve.
É
importante
entendermos a diferença entre biografia,
[88]
autobiografia e semi-autobiografia.
Compreendemos que, na primeira, o
escritor/pesquisador escreve sobre a
vida de alguém; na segunda, o
escritor fala sobre sua vida, e na
terceira, o autor escreve sua vida
intercalada com momentos de ficção.
O romance A Redoma de Vidro é
semi-autobiográfico.
A
autora
trabalhou detalhadamente episódios
vividos por ela, mas, por exemplo,
não usou os nomes originais para os
personagens e, de acordo com as
análises
de
sua
biografia,
acrescentou/criou personagens. É
bom fazermos uma ressalva acerca
da autobiografia. Visto que ela é a
vida exposta cruamente, alguns
críticos não a consideram como um
trabalho artístico, afirmando que ela
apenas explora a curiosidade alheia,
sem uma tessitura mais elaborada.
Elencamos três características
que consideramos fundamentais para
o gênero confessional que serão
descritas a seguir. O confessionalismo
parte do pressuposto de que, os fatos
narrados realmente aconteceram e
estão
expostos
de
forma
transparente. Esta é a principal
característica do gênero, pois implica
em falar a verdade, expor de forma
objetiva o que se tem a dizer, mais do
que isso, confessar tudo que se viveu
e pensou.
Temos a memória como uma
segunda característica da literatura
confessional, seja o seu uso para a
composição do texto seja com a
função de preservar a identidade