Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 92

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 individual/coletiva, pois estes escritos, fazem o resgate do passado, das lembranças, ou seja, a escrita é retrospectiva, e também seletiva, já que o autor seleciona os fatos vividos a serem contados. Narrativas confessionais têm predominantemente o uso do pronome pessoal “eu”, logo, esta é a terceira característica que elencamos para o estilo. Então, o estilo confessional é conhecido como a literatura do “eu”. O registro do pronome pessoal já imprime o teor intimista e também delimita o campo da confissão. O confessionalismo é um gênero de grande intensidade, em que as palavras ganham uma força que transcende o romance e perpassa a condição de leitor/crítico para leitor/ouvinte. O leitor é empoderado nesse gênero e seu papel é ler/ouvir o escritor e absolvê-lo de suas falhas ou apenas compreendê- lo. A relação entre público e privado neste gênero é uma linha muito tênue e quase inexistente, pois a vida na sua forma mais “crua” é o que interessa ao leitor. Vemos, portanto, que Sylvia Plath contribuiu para o gênero confessionalismo através de sua escrita forte, pessoal e reveladora. A autora expôs sua vida de forma singular e criou um espaço de mística e respeito por sua escrita, que somente fortificou o movimento. A Redoma de Vidro poderia ser o seu renascimento para uma nova vida, que jamais saberemos, porém o que é certo, é que sua escrita simbólica, profunda e intensa a tornou grandiosa na literatura. Instagram: @fernandards90 [89]