LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Edson Almeida Coimbra
Santos/SP
Voltando ao Passado
Que poder têm de nos fazer viajar no tempo essas revisitações às ruas de
nossas antigas idades.
Hoje resolvi passear por elas e embora não faça meu estilo reviver o que
passou, fui tomado por um desejo saudosista e nostálgico que não conhecia em
mim. Comecei então a observar e a comparar o que era com o que está hoje:
A maioria das casas continua aqui. Umas envelhecidas, de aparências
desgastadas, outras, de fachadas renovadas e algumas sumiram, deram vez a
novos prédios. Muitas coisas mudaram.
Entre as que continuam iguais, encontrei o prédio do meu colégio da
infância. Continua como era, só a pintura do grande muro externo que abrange
parte de duas ruas e da fachada está diferente, mas também envelhecida e
deteriorada. Não há mais o colégio. O prédio está desativado, vai ser demolido.
Quando adultos as coisas infantis que nos entristeceriam não nos deixam
perceber mais a tristeza. A educação que recebemos nos ensina que as coisas de
crianças são só para crianças, não cabem no mundo adulto, mas fiquei triste.
Saber que aquele pedaço tão querido da minha infância estava prestes a
desaparecer do mapa, devo confessar, não foi emocionalmente fácil para mim.
Saí dali e talvez procurando inconscientemente uma compensação, fui
passear por outro bairro próximo, onde morei na adolescência. A primeira rua por
onde passei foi a da outra escola na qual estudei. Essa estava lá, ativa, em pleno
funcionamento.
Diminuí o passo, parei um pouco em frente ao portão de entrada e pude
ouvir o mesmo burburinho das antigas horas dos intervalos. Os quinze minutos
mais desejados pelos alunos.
Entra ano, sai ano e as escolas continuam iguais, entediantes, nada muda.
Só a pose de pedagogos e entendidos em educação falando na mídia e nas festas
de aniversários da nova escola. A nova escola da velha informação, o velho banco
de dados divulgando informações inúteis. Graduando novos servos de sistemas.
Futuros seres detentores de muita informação e pouca sabedoria.
Ninguém mais do que eu, cabulou aulas neste mundo. Tudo o que aprendi,
foi porque quis e quando tive vontade. Por isso, de lado a matéria de língua
portuguesa e literatura onde sempre fui aluno exemplar, sempre terminei o ano
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