Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 63

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Cizina Célia Fernandes Pereira Resstel Marília/SP A despedida de uma imigrante A despedida como de muitos e/imigrantes, aparece de modo grupal. Despedimos de um todo e de um tudo, de tanta gente e de tantas coisas, de uma só vez. Gente de casa, gente de fora, próxima e distante. Na despedida somos tomados por turbilhões de emoções e sentimentos, faz a gente sentir a tristeza na alma e uma dor que nasce no peito e finca no coração. A separação e o luto são sentimentos que compõem a imigração. Partir e chegar são os dois lados da mesma viagem. Despedimos do velho país e encontramos com a nova terra estrangeira. Tenho recordações dos últimos instantes com os meus irmãos na casa de meus pais, não tínhamos mais o que dizer em palavras, a não ser, nos abraçarmos uns aos outros, um encontro de corpos para a despedida da nossa convivência, pensávamos num distanciamento temporário e não sabíamos ao certo quantos anos permaneceríamos fora, no estrangeiro, longe da terra natal. Não estaríamos nem no mesmo espaço e nem no mesmo tempo. Sabíamos que ali seria a última vez que nos tocávamos e assim seria até algum dia. [60]