LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Cizina Célia Fernandes Pereira Resstel
Marília/SP
A despedida de uma imigrante
A despedida como de muitos e/imigrantes, aparece de modo grupal.
Despedimos de um todo e de um tudo, de tanta gente e de tantas coisas, de uma
só vez. Gente de casa, gente de fora, próxima e distante.
Na despedida somos tomados por turbilhões de emoções e sentimentos, faz
a gente sentir a tristeza na alma e uma dor que nasce no peito e finca no
coração. A separação e o luto são sentimentos que compõem a imigração. Partir
e chegar são os dois lados da mesma viagem. Despedimos do velho país e
encontramos com a nova terra estrangeira.
Tenho recordações dos últimos instantes com os meus irmãos na casa de
meus pais, não tínhamos mais o que dizer em palavras, a não ser, nos
abraçarmos uns aos outros, um encontro de corpos para a despedida da nossa
convivência, pensávamos num distanciamento temporário e não sabíamos ao
certo quantos anos permaneceríamos fora, no estrangeiro, longe da terra natal.
Não estaríamos nem no mesmo espaço e nem no mesmo tempo.
Sabíamos que ali seria a última vez que nos tocávamos e assim seria até
algum dia.
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