LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Charles Burck
Rio de Janeiro/RJ
Poema
Os versos habitarão as entidades e deles surgirão juízos particulares,
Os mortos e os vivos discutindo sobre os destinos de todos
Para quem apenas viveu, tudo se perde,
Renuncio ao meu momento para apreciar um mundo impalpáveis
E dá perdão e a expiação aos pecados subscritos, mas se a tua boca combina
com os meus pensamentos, beijo
E pecaremos mais em nome da vida, estamos tão atrasados, mas nos
aproximamos um pouco mais do começo
A imprudência mantém laços com o poeta, beija os seios da luxúria, desdenha
das línguas mansas, e flerta com as insanas loucuras
Em breve jejuaremos, quando as raças superiores declararem extintos os corpos
Mas nas vagas sonoras das transcendências, terás lugar cativo no altar do meu
amor,
Outras aproximações em gozos de divindades se darão,
Em profecias idênticas às que vivemos nós,
E os poetas lembrarão como os bardos as prediletas canções sensuais,
E unirão homens e mulheres em poemas carnais,
E em gozos transcendentais abriremos as janelas dos tempos e olharemos os
céus
A caminho da imortalidade ainda teremos tempo de tomar uma cerveja gelada e
zombar dos deuses
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