LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
O poeta senta, para a rotineira escala no pé sujo da esquina,
onde a clientela soturna de almas purga os pecados do cotidiano.
O copo fosco deixado despretensioso sobre o vermelho da mesa,
um alcoólico entorpecer calmamente se assenhora da consciência.
E o poeta permanece silente, embriagado corteja sua insanidade.
A escuridão da noite se enconcha, enquanto nasce o amanhecer.
E hipocondríacos semáforos despertam, sorrateiros vigias do viver,
e as impertinentes buzinas desafiam os indolentes sinais vermelhos.
E sem aviso, outro copo fosco é colocado com firmeza sobre o vermelho
da mesa, e o preto fumegante exala um singular inaprisionável aroma,
e num gole só é consumido, então se vira e vai embora o boêmio poeta,
desaparecendo lentamente entre o concreto e os vidros da metrópole.
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