Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 61

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 O poeta senta, para a rotineira escala no pé sujo da esquina, onde a clientela soturna de almas purga os pecados do cotidiano. O copo fosco deixado despretensioso sobre o vermelho da mesa, um alcoólico entorpecer calmamente se assenhora da consciência. E o poeta permanece silente, embriagado corteja sua insanidade. A escuridão da noite se enconcha, enquanto nasce o amanhecer. E hipocondríacos semáforos despertam, sorrateiros vigias do viver, e as impertinentes buzinas desafiam os indolentes sinais vermelhos. E sem aviso, outro copo fosco é colocado com firmeza sobre o vermelho da mesa, e o preto fumegante exala um singular inaprisionável aroma, e num gole só é consumido, então se vira e vai embora o boêmio poeta, desaparecendo lentamente entre o concreto e os vidros da metrópole. https://cesatheis.blogspot.com/ [58]