Revista LiteraLivre 17ª edição | страница 60

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Cesar Luis Theis Guarujá do Sul/SC As Veias da Metrópole O boêmio poeta vagueia alheio pelas ruas na madrugada, em outra noite quente de verão, vitimado pelo beijo da insônia. Nutrindo-se da devassidão de esguias mariposas regateiras, que flertam nas sombras das calçadas do centro da cidade. Um forte cheiro pútrido de urina se espraia entre as esquinas, os becos, vielas, as sombras apavoram os noturnos transeuntes. Em meio a escuridão pedaços de papelão se movem alheios, os anúncios luminosos desvelam a imundice latente da cidade. O som das sirenes alerta os atrasados trabalhadores da metrópole, estes aceleram o passo, obedientes ao toque de recolher da noite. Uma encíclica brisa abafada carrega a percepção da violência. A boca seca, o desconforto de um pigarro se prende na garganta, Pela noite entre os muros de concreto e calçadas da cidade inumanos, meros invisíveis, buscam alimento revirando lixeiras, lutam contra a fome, para retardar o balanço da foice da morte. Jornais e suas abomináveis notícias bailam esquecidos ao vento, o esgoto pós-moderno transvaza as veias abertas da metrópole. [57]