LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
flores, a aula, o inglês... por que é que nada nunca dava certo para ninguém? Ela
viu que eu estava pensando, e me fitou por mais um segundo, e então eu olhei
nos olhos dela e finalmente tudo fez sentido. O professor, o que o professor tinha
dito? Daisy... era margarida em inglês, não era?
Levantei do banco num salto, sem ter certeza de como fazer o que eu ia
fazer. Me abaixei, peguei uma margarida do chão, e estendi ela para Daisy. Eu
nunca conseguiria pôr em palavras tudo o que eu sentia por ela, e agora não era
diferente, mas me obriguei a pôr o sentimento nos meus olhos. A Daisy me
encarou por um momento interminável, e então, finalmente ela entendeu. Ela
correu para mim e me abraçou, com toda a força que eu sabia que ela tinha. Ela
chorava, mas eu queria acreditar que não era de tristeza dessa vez.
Se todas as primaveras fossem assim, eu podia nunca mais ter férias.
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