LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Rozz Messias
Colombo/PR
Último dia
Anelise sentou na banqueta da cozinha, a xícara de café quente fumegava,
aquecendo suas mãos, o calor transmitindo uma sensação gostosa e o sabor
forte espantando o sono.
Enquanto tomava o líquido escuro, olhava o movimento das pessoas pela
janela do apartamento, o trânsito caótico aquele horário da manhã. Após
consultar o relógio verificou que estava em cima do horário de saída para o
trabalho.
Anelise pegou a bolsa e trancou a porta, descendo as escadas com
pensamentos sobre a rotina cansativa, acordar tão cedo e trabalhar o dia todo
consumia sua energia. Na faculdade era fim de semestre, provas e trabalhos
cada dia mais desgastantes.
No próximo final de semana iria para casa dos pais, no interior do Estado.
Seria bom descansar em seu quarto antigo, comendo da comida da mãe.
Enquanto caminhava entre os transeuntes, relembrou da alegria que sentiu
quando veio para a cidade grande, tantos planos não realizados. Imaginou que
seria mais fácil ficar longe da família, fazer faculdade, se estabelecer
financeiramente, ser independente.
Mas o caso é que nada saiu como o planejado. Ela suspirou, enquanto era
puxada pelo braço por um homem alto e de olhos escuros.
— Cuidado!
No instante seguinte, o carro desgovernado acertou a moça que estava
centímetros a frente de Anelise. Ela espremida na parede ao lado do estranho
que salvou sua vida, viu a jovem com cerca de vinte anos ser esmagada pelas
rodas da picape. Pessoas gritavam e corriam, outras como eles, de olhos
arregalados e corações acelerados, estavam grudadas no pequeno espaço que os
separava da morte.
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