Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 239

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Rozz Messias Colombo/PR Último dia Anelise sentou na banqueta da cozinha, a xícara de café quente fumegava, aquecendo suas mãos, o calor transmitindo uma sensação gostosa e o sabor forte espantando o sono. Enquanto tomava o líquido escuro, olhava o movimento das pessoas pela janela do apartamento, o trânsito caótico aquele horário da manhã. Após consultar o relógio verificou que estava em cima do horário de saída para o trabalho. Anelise pegou a bolsa e trancou a porta, descendo as escadas com pensamentos sobre a rotina cansativa, acordar tão cedo e trabalhar o dia todo consumia sua energia. Na faculdade era fim de semestre, provas e trabalhos cada dia mais desgastantes. No próximo final de semana iria para casa dos pais, no interior do Estado. Seria bom descansar em seu quarto antigo, comendo da comida da mãe. Enquanto caminhava entre os transeuntes, relembrou da alegria que sentiu quando veio para a cidade grande, tantos planos não realizados. Imaginou que seria mais fácil ficar longe da família, fazer faculdade, se estabelecer financeiramente, ser independente. Mas o caso é que nada saiu como o planejado. Ela suspirou, enquanto era puxada pelo braço por um homem alto e de olhos escuros. — Cuidado! No instante seguinte, o carro desgovernado acertou a moça que estava centímetros a frente de Anelise. Ela espremida na parede ao lado do estranho que salvou sua vida, viu a jovem com cerca de vinte anos ser esmagada pelas rodas da picape. Pessoas gritavam e corriam, outras como eles, de olhos arregalados e corações acelerados, estavam grudadas no pequeno espaço que os separava da morte. [236]