LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Os anos foram passando, seus pais e sua esposa faleceram, filhos casados.
Sentiu que este era o momento de alterar o rumo da sua vida. Não receava
recomeçar e reconstruir do zero. Agiu de imediato, antes que a velhice fechasse
a porta do tempo. Pediu demissão e se candidatou ao anúncio de ajudante numa
empresa de turismo náutico (nos fins de semana fazia aulas de navegação numa
escola de velejador, praticando o que aprendeu num clube; sabia guiar o barco e
estava em boa forma física). Admitido, uma alegria imensa brilhou em seus olhos
por finalmente fazer o que sempre desejou. Esqueceu o passado atormentado.
Certa vez, encontrou uma tempestade em alto mar, mas seu sorriso se iluminou
por vencer a intensidade das ondas, marés e ventos, se aperfeiçoando naquilo
que muito namorava. Amor à profissão, perfume que se espalhou dentro de si,
impregnando seus pensamentos com o aroma da determinação. Ama este
ambiente e vive a bordo frequentemente. Seu espírito deixava claro o quanto
este ofício é importante para se reafirmar como pessoa e tudo mudou, assim que
começou a segurar a roda do leme e conduzir a direção da embarcação. Alguns
diziam: “Louco! Inesperadamente morrerá no mar”! Sorrindo ele argumentava:
“Pereceria contente por estar nos braços da minha querida profissão”! Libertou os
talentos sufocados e realizou seu sonho, tornando-se um ser completo. Aprecia
tanto o que está fazendo atualmente como se fosse o ar que respira. Aos
aplausos do recôndito do seu ser, casou-se com este estilo de viver e trabalhar.
Quando o pôr do sol se aproxima, a visão magnífica do entardecer a bordo
de um veleiro é mais uma razão para Jocarli persistir nesta decisão e agradecer a
Deus o dom que Ele lhe deu: é um prazer navegar!
Esta poesia faz parte do livro:
• O Lado Poético Da Vida – Autora: Rosimeire Leal da Motta Piredda – 2019
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