Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 212

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 – quando Túlio secou a boca no guardanapo, levantou-se, sentou-se ao meu lado e disse: — Júlia, feche os olhos! E me deu o beijo mais doce de todo esse mundo. A exemplo de Kafka, eu até me inclino a certos exageros. Mas o que é uma mulher apaixonada senão propensa aos excessos? A chuva, do jeito que veio se foi em forma de furacão; pairou lá por cima, ficou para depois das nuvens. E a suave brisa instalou-se em mim cantando versos solenes. Abraçados e, aos beijos, fomos até a bica d’água, pois como dizem os felizes turistas que bebem da água daquela fonte: “Aquele que beber da água do Lilau, jamais se esquecerá de Macau”. No meu caso não era só a água que iria me fazer não esquecer de Macau. Ao passarmos de volta pela praça um homem tocava lindamente seu saxofone azul. E como duas crianças alegres dançamos o Foxtrote. E a noite continuou assim. A meia-noite pipocaram os fogos no céu do Natal. E todos esses acontecimentos ficaram na memória de cada um de nós. https://www.facebook.com/pauloluis.ferreira.5 paulolaspalmas@yahoo.com.br pluis.177@globomail.com [209]