LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
– quando Túlio secou a boca no guardanapo, levantou-se, sentou-se ao meu lado
e disse:
— Júlia, feche os olhos!
E me deu o beijo mais doce de todo esse mundo.
A exemplo de Kafka, eu até me inclino a certos exageros. Mas o que é uma
mulher apaixonada senão propensa aos excessos? A chuva, do jeito que veio se
foi em forma de furacão; pairou lá por cima, ficou para depois das nuvens. E a
suave brisa instalou-se em mim cantando versos solenes. Abraçados e, aos
beijos, fomos até a bica d’água, pois como dizem os felizes turistas que bebem
da água daquela fonte: “Aquele que beber da água do Lilau, jamais se esquecerá
de Macau”. No meu caso não era só a água que iria me fazer não esquecer de
Macau.
Ao passarmos de volta pela praça um homem tocava lindamente seu
saxofone azul. E como duas crianças alegres dançamos o Foxtrote. E a noite
continuou assim.
A meia-noite pipocaram os fogos no céu do Natal. E todos esses
acontecimentos ficaram na memória de cada um de nós.
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