LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
enceguecem a razão, ainda sou capaz de entrever – com a sobriedade
desapontada de um descrente – que o futuro da minha vida sempre independeu
das minhas escolhas. Os meus amanhãs são ignotos de mim, assim como todos
os meus anelos são subservientes aos planos que não seguem os meus roteiros.
Sou uma marionete com asas que não voa, aprisionada numa grande
interrogação invisível que não responde as minhas tantas perguntas.
Biologicamente, até que com rara racionalmente, explicam de onde eu vim.
O que de maneira geral, não elucida muita coisa. Tampouco minora essa minha
totalmente tola falta de rumo. E como se o bastante fosse muito, ou como se o
muito fosse suficientemente vital, batizaram a minha carne com um nome que eu
não escolhi, deram-me um coração de vidro trincado, um espírito que nunca vi, e
me desapossaram do significado de existir.
Ainda assim, privado de escolhas e desapossado de alternativas, eu não
reivindicarei mais de Deus as justas justificativas que ele me deve. Porque,
compreendi que permeio a toda insensatez que torna a vida ilogicamente
incoerente,
também
coexistem
incongruentes
significados
que
a
fazem
prazenteira o bastante para vivê-la, sem procurar desvendar a racionalidade que
não existe, na grandiosidade desconexa de tudo aquilo que ultrapassa qualquer
entendimento, e onde a compreensão se regozija e se contenta apenas no sentir.
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