Revista LiteraLivre 17ª edição | Seite 178

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Em cada galho ouço um “creque” Coluna estalar, idade em cheque No rosto, a ruga, que mistura Tempo, sorte e muita procura, suor desce, seiva pinga; e escorre ao longe confundo o que mais corre Na fuga de algo, sinto-me vigiado Estarei sozinho ou estarei cercado? Cheiro forte logo impregna Multidões que se aproximam Curiosos ou receosos? Medo e coragem se confundem No minuto que nunca passa Apreensão não mais disfarça No helicóptero de uma mosca sanguinária O mesmo desejo que tenho por quem me falha Logo avisto valiosa presa Sem pressa, audaz, como quem avalia cada passo Andar suave, de pisar disfarço Na mira, na ponta, na mosca Carrego a arma mais potente De poder mais sagaz Que fixa a alma no tempo, e arranca as sensações de ser fugaz O dedo treme, coração dispara A sorte única, não admite falha Ao apertar o gatilho um simples “creque” Ecoa pela mata, som singelo, [175]