LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Em cada galho ouço um “creque”
Coluna estalar, idade em cheque
No rosto, a ruga, que mistura
Tempo, sorte e muita procura,
suor desce, seiva pinga; e escorre
ao longe confundo o que mais corre
Na fuga de algo, sinto-me vigiado
Estarei sozinho ou estarei cercado?
Cheiro forte logo impregna
Multidões que se aproximam
Curiosos ou receosos?
Medo e coragem se confundem
No minuto que nunca passa
Apreensão não mais disfarça
No helicóptero de uma mosca sanguinária
O mesmo desejo que tenho por quem me falha
Logo avisto valiosa presa
Sem pressa, audaz, como quem avalia cada passo
Andar suave, de pisar disfarço
Na mira, na ponta, na mosca
Carrego a arma mais potente
De poder mais sagaz
Que fixa a alma no tempo,
e arranca as sensações de ser fugaz
O dedo treme, coração dispara
A sorte única, não admite falha
Ao apertar o gatilho
um simples “creque”
Ecoa pela mata, som singelo,
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