LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Mairon Neves de Figueiredo
Viçosa/MG
O contato do homem - uma natureza a ser desbravada
A nobre mata, antes virgem, agora dominada
A cada passo mato a dentro, a cada dentro bicho a fora
Ao tronco áspero e úmido, as digitais se aglomeram
Ouço, silvos e assobios, voos valentes de quem me viu
Folhas, galhos, terra, sentem o pesar,
passada larga, pegada firme em cada andar
De longe vejo densa briza,
Facão corte cego, corta cegamente,
Cada golpe alucinado,
Desbravar exaltado,
Deixa combinado
Quem manda no mato!
Névoa esconde, água límpida
Água escorre, som que disfarça
Expirar ofegante, já sem graça
O coaxar se aproxima, bem mais forte
Salto longo, água e sorte
Agachado ouvido logo aguça
Zumbido raso, a prazo me fuça
Estarei atrás de algo que me persegue ou persigo algo que sempre me negue?
Névoa esconde, suave arrepio
No espinho que fura a pele flácida
Garoa pinga, gota ácida
[174]