LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
se encontrando lentamente, as mãos se tocaram e os corpos se conectaram. Os
minutos pareciam passar bem devagar, mas com forma de eternidade e nada
mais parecia ter sentido.
Não vou falar aqui em amor à primeira vista, aliás como todo o texto sugere,
a interpretação é bem particular e cada um deve ter suas próprias considerações,
mas era algo bastante atípico para ambos, não era o simples gosto da boca, o
beijo tinha um sabor especial. Não era só o cheiro dos corpos, era um aroma que
se misturava com cores e sons, havia melodia e a dança dos corpos fluía num
compasso perfeito e harmônico como se tudo já tivesse sido ensaiado antes. Foi
um momento realmente de difícil descrição, não fosse a ajuda dessa linguagem
mais metafórica e próxima do que parecia inexplicável. Assim foi até o último
segundo quando tiveram que se despedir e aqui até cabe esse diálogo final já
que no encontro das línguas os idiomas também parecem ter ficado confusos ou
era o tom que cabia ao momento. E foi ele e o seu olhar ainda fixo, mas
inundado de carinho que disse:
– Ma petite, foi bom ter te reencontrado. Tenho certeza de que as nossas
almas já se conheciam muito antes e foi muito bom poder sentir o seu corpo e a
sua presença novamente. Você é incrível!
– Mon petit, como me faltam palavras apenas te digo o mesmo, baby.
Depois desse instante muitos outros encontros aconteceram, cada um com
ainda mais profundidade. Pareciam ter um mundo só deles onde todas as coisas
ruins simplesmente se perdiam diante daqueles abraços. Eles se entendiam em
todos os aspectos e riam e conversavam e cantavam e dançavam e eles pareciam
vibrar na mesma frequência e sintonia. Óbvio que o mundo lá fora existia e às
vezes eles também entravam em desacordos, aliás me atrevo a dizer que algo
linear demais não tem vida, é como o traçado eletrocardiográfico, quando em
vida
é
repleto
de
ondas
distribuídas
em
intervalos
de
tempo,
são
metaforicamente os nossos “altos e baixos”. Então, desse modo, melhor dizer que
houveram muitos encontros e desencontros.
E foi numa dessas “idas e vindas” que tudo se foi. A música não foi mais
ouvida, as cores não podiam mais ser vistas. Ele resolveu deixá-la. Esse é o
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