Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 142

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Ao chegar em casa, tornou a pensar no estranho encontro que aconteceu mais cedo. Estaria ele delirando? Tinha realmente visto alguém muito semelhante à si mesmo? um sósia talvez? Mas a noite chegou e, esquecendo-se logo destas indagações, apressou-se a ir buscar Ângela no aeroporto, pois já eram quase sete e meia da noite. Ao sair, sentiu novamente aquele arrepio estranho, mas dessa vez foi mais forte. Sua visão ficou escura e ele sentiu como se fosse desmaiar, mas logo se recuperou e, ao tirar a chave do carro de dentro do bolso, deixou-a cair sem querer na grama. Abaixou-se para pegar e, quando levantou, para sua surpresa, alguém estava parado em frente à seu carro, olhando fixamente para ele: era o misterioso homem-cópia que ele presenciou mais cedo! Estava com a mesma roupa que ele agora, de calça jeans e uma camisa verde-escuro. Ricardo olhou de volta e era como estar de frente para um espelho, encarando sua cópia idêntica nos olhos, e no entanto, sentiu um desconforto inexplicável, não conseguindo encará-la por mais que alguns segundos. Tomando coragem, perguntou em voz alta: – Quem é você e o que você quer afinal? Por que está me seguindo? Vi você hoje de manhã rondando o escritório. Mas o sósia misterioso não respondeu, permanecendo calado e imóvel. Então uma garoa, como nas outras noites, começou a cair, e Ricardo percebeu - ou pensou ter percebido - que as gotas d’água pareciam não molhar o seu sósia, como se passassem através dele. Então, algo perturbador aconteceu: aquele seu “duplo” começou a mexer os lábios, como se tentasse dizer alguma coisa, mas não se ouvia voz nenhuma. Ao mesmo tempo, andou em direção ao carro de Ricardo, tocando-o com a mão. Imediatamente, Ricardo viu que seu carro estava destruído, amassado como se tivesse acontecido uma batida muito forte e, no meio das ferragens, jaziam dois corpos. Aproximou-se um pouco mais para ver melhor aquela alucinação, quando viu que os dois corpos dentro do carro destroçado eram os dele e de Ângela, ambos esmagados nas ferragens! Chocado com aquela visão horrível, começou novamente a passar mal, com uma forte dor de cabeça, vindo a cair no chão. [139]