LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Quando recuperou os sentidos, olhou em volta e viu que seu carro estava
inteiro, sem um arranhão sequer, e que o “duplo” havia desaparecido sem deixar
rastro, como de manhã. Olhou o relógio e percebeu que estava muito atrasado,
pois já eram quase oito horas. Entrou no carro, e tentou esquecer aquela
alucinação, visão, ou seja lá o que fosse: o que importava agora era ir buscar
Ângela. Dirigiu a toda velocidade pelas ruas sinuosas, e já estava quase
chegando no aeroporto quando, ao atravessar uma encruzilhada, não percebeu
que um caminhão vinha desgovernado e invadiu a pista em sua direção,
chocando-se violentamente contra seu carro e fazendo-o capotar várias vezes.
Ele perdeu a consciência instantaneamente...
Ricardo despertou repentinamente, suando muito e assustado. Estava em
casa, em sua cama, são e salvo. Olhando o relógio, viu que eram seis e meia da
manhã daquela mesma sexta feira. Ainda um pouco abalado, mas também
aliviado, convenceu-se que tudo “foi um pesadelo”. Levantou-se, tomou banho
rápido, comeu apenas uma fruta e saiu de casa. Voltando a pensar naquele
sonho, de repente tudo começou a fazer sentido: e se aquilo foi um aviso? Seria
possível? E, pela primeira vez em sua vida, resolveu levar um sonho à sério.
Quando a noite chegou, ligou para Ângela e disse que infelizmente não
poderia ir buscá-la, sugerindo que ela chamasse um Uber, enquanto ele a
esperaria em casa. Estava vendo TV na sala, quando a campainha tocou. Ao abrir
a porta, encontra finalmente sua amada depois de uma longa semana. Abraçam-
se os dois, e Ângela diz algo que o fez gelar o sangue: tinha acontecido um
acidente horrível há pouco tempo, onde um caminhão enorme bateu em um
carro, tão violentamente, que o carro capotou várias vezes e ficou destruído. Os
dois ocupantes, um homem e uma mulher, morreram na hora...
Ao ouvir essas palavras, Ricardo finalmente entendeu tudo: de alguma
forma, aquele seu clone misterioso salvara eles dois de um acidente terrível.
Quem, ou o que, era aquele “duplo” sinistro? Anjo da guarda? Um espírito? Só
Deus sabe a resposta, e Ricardo não tornou a vê-lo novamente enquanto viveu.
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