Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 141

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Despertou por volta das seis e meia da manhã, lembrando-se que teria um dia cheio de compromissos pela frente. Já estava quase saindo quando o celular vibrou com uma nova mensagem: era de Ângela, perguntando se estava tudo bem, dizendo que estava com muita saudade e confirmando que chegaria da viagem por volta das sete e meia daquela mesma noite. Essa mensagem deu ânimo e coragem à Ricardo para enfrentar mais uma sexta-feira atribulada no escritório da firma de advocacia. Ao chegar ao escritório, estacionou seu carro e foi seguindo logo para a sala. No corredor encontrou um colega, Maurício, que estava entretido olhando alguns papéis, e pareceu ter tomado um susto ao ver Ricardo, pois disse que havia visto, minutos antes, alguém muito semelhante à ele andar pelos corredores do prédio, e imaginou que fosse o amigo que tivesse chegado mais cedo: - Não estou te entendendo...eu cheguei agora! Você por acaso andou tomando umas essa noite? - respondeu Ricardo, sarcástico, mas sem entender direito aquela situação, e chamando Maurício para irem logo para o escritório. O dia foi passando tediosamente devagar. Às quatro e meia da tarde, Ricardo saiu apressado, mal se despedindo de seus colegas. Estava indo em direção ao estacionamento quando começou a sentir uma sensação estranha, um tipo de arrepio tomando conta de seu corpo. Foi quando percebeu que, um pouco mais a frente, havia alguém parado perto de seu carro. Estava ainda um pouco longe, mas notou que o sujeito estava com roupas iguais às suas, e começou a caminhar à passos rápidos em direção à rua, como se estivesse fugindo dele ou com muita pressa. Seria aquele de quem Maurício falou mais cedo? Ao sair para a rua, olhou em volta, mas o estranho sujeito havia desaparecido repentinamente, como se tivesse evaporado em pleno ar! Ricardo, curioso, procurou por alguma esquina ou loja onde o sujeito pudesse ter entrado, mas não o viu mais. Estava voltando para o carro, quando encontrou o zelador do prédio que lhe disse, como Maurício mais cedo, ter visto uma pessoa igual à ele alguns minutos atrás, o que deixou Ricardo ainda mais intrigado com aquele mistério. Mas logo tratou de esquecer aquilo e, ligando o carro, foi embora. [138]