LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
José Lucas Brito Souza
Quixeré/CE
O Duplo
Ricardo chegou tarde em casa naquela noite, mal podendo esperar para,
depois de um longo dia de trabalho, finalmente deitar-se em sua cama e dormir
um sono tranquilo. Era um jovem advogado de trinta e dois anos, ainda no
começo de carreira. A noite estava fria, com uma leve garoa caindo. Olhou no
relógio e viu que eram quase dez e meia da noite. Foi até a cozinha, tomou
apenas um copo de leite, e, olhando o celular, consultou a caixa de mensagens:
vazia. Ao chegar em seu quarto, tomou um banho rápido, trocou de roupa e
jogou-se na cama. Lá fora, a garoa transformara-se em chuva.
Acordou por volta das duas e meia da manhã, e foi até o banheiro. Pouco
tempo depois, retornou ao quarto e tornou a deitar-se, dirigindo o olhar para a
mesinha de cabeceira: alguns livros de Direito, o celular e um retrato dele junto
de Ângela, sua namorada, que estava em uma viagem há quase uma semana.
Ela era estudante de Direito, que já estava quase no final do seu curso, sendo
dois anos mais nova que Ricardo. Ângela estava agora em outra cidade, em um
congresso, e só voltaria na noite de sexta-feira. Ricardo fechou os olhos,
esperando ansiosamente que este dia passasse o mais rápido possível.
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