Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 121

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Ivan de Oliveira Melo Recife/PE A Morte A vida é o maior bem que homem tem; a morte, seu maior mistério. Apesar de conviver-se com ela desde o princípio, jamais alguém interpretou com precisão o seu significado, a sua existência. Trata-se de algo que faz parte do cotidiano das pessoas, no entanto segue tão virgem quanto à época do aparecimento dos primitivos seres vivos na face da Terra. Inúmeros poetas já escreveram sobre o tema e cada qual mostra o que todos sabem por superfície: é o fim da vida. Será que realmente é um fim? Ou tal fim é tão somente um objetivo? Caso esteja correta esta premissa, não deixa de ser um alento, uma esperança. Saber que após o passaporte a vida segue seu rumo, positivamente é um motivo de alegria, no entanto tudo o que conhece ou o que se comenta, é apenas um consolo. E, tal consolo, não traz de retorno os que partem. É profundamente desgastante os diversos estudos que se realizam sobre o assunto. Há religiões que instruem seus membros de que a morte é tão somente uma passagem, que aqui se encontra o ser humano para aprender e evoluir-se espiritualmente e ao orbe retorna quantas vezes forem necessárias até que se complete seu estágio de evolução e aperfeiçoamento do qual cada um tem de cumprir. Explicam os docentes desta religião que a alma ou espírito reencarna, toma nova forma carnal para aqui voltar. Não sei, conforme frisei anteriormente, tal doutrina é assaz consoladora, traz em seu bojo a assertiva da imortalidade da alma que, completando seu aprendizado, fica à disposição eterna do Criador a fim de que possa através do afeto e do amor que carrega em si, socorrer aqueles que têm de trilhar pelas mesmas veredas. Já noutras concepções religiosas, a morte assume um aspecto mais rude. Ao indivíduo que falece, resta dormir até que se cumpram as Profecias bíblicas e, aí, fica-se à espera do Juízo Final, oportunidade em que o Criador julgará os bons e maus e determinará os que habitarão a Nova Terra e os que serão arrastados infinitamente para as chamas eternas do Inferno. Será nesta ocasião que, todos aqueles que dormem através dos tempos se acordarão e reunir-se-ão com os mesmos corpos materiais que possuíam no período em que na Terra habitaram. Aí está a propagada: Ressurreição. Há ainda outras que pregam que os que perecem não dormem até a chegada do Juízo, mas que são levados incontinente ao Purgatório, ao Céu ou ao Inferno, isso a depender do que em vida hajam feito. A verdade é que o homem se encontra rodeado de premissas e cada uma que assegure que tem em seus ensinamentos a única realidade. Tal situação traz [118]