LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
uns óculos no rosto e lhes deu um papel que agora completava toda mensagem
que dizia.
“Finda a noite será quando a luz do alvorecer apenas irá raiar contra o mal
comum quando todos os povos derem as mãos ante o brilho do amor que
desvelará tal mal oculto. Assim o trono do novo governante será a Verdade, sua
coroa a Paz, e seu cetro o Amor.”
Quando li aquela frase completa em voz alta mesmo os escravos de outras
civilizações de muitos tempos que lá convergiam ficaram abismados ao
observarem que uma luz intensa emergia da porta o qual as pedras agora
pareciam como lâmpadas acessas num fulgor agradável a visão humana. Aquela
luz, todavia, dissipou as sombras daquele facínora sobre seus oprimidos ainda
que ele parecia esperançoso de quem sairia triunfante de suas iniquidades
atrozes contra os mesmos.
A porta não era grande, todavia o selo que aparentava ter falhou dando uma
brecha para que eu a abrisse. Em seu interior parecia estranhamente maior do
que aparentava do exterior ao imanar uma luz suave cuja brancura trazia paz. O
imperador desceu rapidamente afim de adentrar a porta ainda que sem saber o
que lhe aguardava e muito menos tenha sido aberta por ele, mas que ao
adentrar aquela luz parecia engoli-lo tornando-o gradualmente em pó, mas não
sem antes se contorcer de dor. O homem agora agonizante parecia ter visto o
que outrora afligiu ele e a gente dele, o que justamente estava fadado a derrota-
lo não como algo mal, mas por ser antagônico ao mal que ele mesmo
representava contra inúmeras vítimas.
A contragosto o homem agora moribundo caiu de joelhos como uma ironia
do destino uma vez que o mesmo obrigava suas vítimas reverenciá-lo de modo
similar, pois sem saber a porta que buscava o dito poder era justamente a porta
que levaria a fonte de seu fim, tudo que ele jamais seria.
Aquele era o destino o qual eu era conduzido sem saber, ante um mal que
conforme ‘profetizado’ por outros viajantes parecia se comprovar ao trazer a
liberdade e todas as coisas que aquele tirano e seus asseclas lutava para
dominar, e assim o Império de Tendor se desfez naquele mundo que dissipou
toda tirania.
Quando me dei conta estava de volta a floresta caído ao chão. Fitei o relógio
e quando percebi havia passado apenas um minuto desde que supostamente
teria saído dali. Uma era num só minuto! Vera Sofia virou-se para mim e sorriu
perplexa ante o que havia presenciado.
Nos levantamos e caminhamos de volta pela trilha quando encontramos
aquele ancião que antes nos exortou sobre o mundo vindouro. Paramos diante
dele que agora sorria, ao perguntarmos o nome dele o homem respondeu, se
chamava Joaquim.
[98]