LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
não menos perplexidade ao notarem que na realidade nós que teríamos vindo
resgatá-los sem saber que seria, na realidade, o escolhido que abriria a dita
porta que por imemoráveis anos nunca conseguiu ser aberta.
— Lhes proponho um negócio, abra-me aquela porta e os libertarei junto aos
cientistas. — Falou o imperador com ares presunções de superioridade arrogante.
— Não faça isso, Joel! — Vociferou um dos homens presos que
misteriosamente sabia o meu nome.
Sem saber o que dizer e fazer permaneci paralisado incrédulo ante aquilo.
Uma porta imponente se erguia de modo emblemático diante de nós. Adornada
com gravuras incrustadas que remetiam a várias civilizações humanas detinha
traços de egípcios, maias, incas, sumérios e mesmo judeus. Ela era dourada
sendo cravejada de pedras de raro valor, pedras das quais minha esposa muitas
vezes não conseguia identificar como se fosse gemas de geografias inéditas ao
conhecimento terrestre de nosso universo.
Assim parados diante dela a fitamos minunciosamente na busca de
compreender o que significava a inscrição, mas aquele conhecimento perdido que
parecia ser cumulativo de várias civilizações era de parco conhecimento ao nosso
intelecto. Ruborizado de temor ante a situação o silêncio fúnebre fora apenas
interrompido quando um dos cientistas disseram.
— A mensagem da porta está gravada de modo que cada língua se
demonstra uma parte específica. Parece que fora feita para ser aberta apenas
quando todos os povos se unirem contra um mal comum.
O cientista que era judeu sabia bem isto pois havia interpretado sua parte
que segundo ele parecia aludir a algo como ‘a luz do alvorecer apenas irá raiar
contra o mal comum...’. O que se seguia estava em sumério que graças aos
conhecimentos da arqueóloga que era Vera Sofia, minha amada esposa, calhou
de interpretar.
— “A luz do alvorecer, apenas irá raiar contra o mal comum,... quando todos
povos derem as mãos ante o brilho...”
— “...do amor que desvelará o mal oculto.” — Completou Nassob que sabia a
outra parte que estava em árabe. — Sou eu, eu sou um herói, um amor! Um
homem amável e cheio de honra! — Proferiu o homem sem se quer reconhecer-
se em seus próprios atos desprezíveis. — A porta fora feita para mim! E com ela
aqueles que destruíram outrora meu grupo naquele mundo ordinário terá a
vingança que merecem sofrer!
Apesar disso o imperador ficou perplexo pois não compreendia bem o que
aquilo significava ainda que por décadas buscasse as peças que faltasse para
interpretar a mensagem da porta que parecia pouco dizer sobre como abri-la. Um
dos vassalos curvado ao fitar apenas o chão em reverência aquele crápula ajeitou
[97]