LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
extrair informações para encontrá-lo. Ele quer usar o escolhido para abrir a porta
que nunca se abre.
— O que podemos fazer? — indaguei perplexo.
— Liberte-os, pois este cruel tirano ameaça invadir nosso mundo além
horizonte! Disseram os cientistas que um casal viria do mundo ordinário hoje e
que seriam os libertadores dele. O cumprimento da profecia aproxima-se!
Soubemos então que o propósito nos era precursor em nossa vinda àquela
terra, pois de alguma forma o passado, presente e futuro convergiam naquela
terra temerária.
Assim partimos buscando compreender os laços que nos cerravam
igualmente a trama do destino daquele lugar de onde perguntas sem respostas
emergiam como os anseios daquele povo oprimido por aquele tirano chamado
Nassob Akbar.
Leis não haviam naquele lugar o qual apenas o desejo do mais forte e
poderoso era o mando a subjugar os direitos dos demais.
Viemos então as portas do Império de Tendor pedir uma audiência com
aquele tenebroso rei o qual seu cetro eram as injustiças impostas as suas
vítimas. Assim modo comedido tiveram a entrada liberada por aqueles vassalos
os quais seriam os primeiros habitantes daquele lugar, um povo de traços árabes
que estavam lá há séculos, por gerações, desde seu passado remoto.
Ensinava aquele rei que apenas poderiam ser vencedores se os fossem sobre
suas vítimas, as massacrando, que para serem grandes precisavam rebaixar os
demais pois a desigualdade e medo era a fonte de seu poder.
— Quem deseja falar com o grande Imperador e por qual motivo? —
Vociferou um dos vassalos daquele séquito.
Mesmo que tenhamos o respondido, de que teríamos vindo ter com os
prisioneiros, um dos homens riu de modo debochado até permitir passagem.
Deram passagem até que fitamos um trono no alto de uma pirâmide iluminada
por uma luz que lançava grandes sombras sobre os visitantes e onde o homem
lá do alto os fitou com desprezo.
Eis então que ele se ergueu imponente e dando passos à frente, não sem
antes alguns de seus escravos se abaixarem deitando no chão para que o homem
passasse por sobre eles, como tapete, pois o significado de sua vida estava em
torná-los insignificantes, presos num niilismo de aflições, medo e dor que como
drogas consumiam suas vidas.
— Enfim vieram! — Vociferou o homem gargalhando ao fita-los mais de perto
como se esperasse por nossa presença.
Sem saber do que falava aquele iniquo sociopata tão logo ele fez sinal para
seus vassalos que lhes mostram os ditos cientistas do século XXII que estavam
detidos em celas como a de animais. Os cientistas por sua vez nos fitaram com
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