LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Literatura - o testamento de um povo
Gilmar Duarte Rocha
Brasília/DF
Quando a gente vê livrarias fechando aos montes Brasil a fora, não
obstante o crescimento (tímido ainda) das edições digitais, não seria o caso de
questionar a respeito do papel e a importância da literatura e a
representatividade que ela exerce sobre a valorização de um povo ou até mesmo
de uma civilização inteira. É o tipo de questão que, quando a gente pensa que o
tempo e os sábios trataram de responder, de súbito, mesmo agora em plena era
da robotização, quando o homem parece já estar galgando o pico da sublimação,
ela vem à tona e nos arrebata com força e nos joga contra a parede, sem dó nem
piedade, pois todas as nossas expectativas era de que o brasileiro – em especial
– já tivesse assimilado a ideia de que é preciso ler, ler textos com substância,
debater ideias compiladas sob a forma de letras, adquirir mais e mais
conhecimentos e quem sabe (para quem tiver a fortuna) obter um quinhão de
sabedoria.
Bem, antes de nos aprofundarmos na análise do problema (declínio da
literatura no país), vale revisitar um pouco o passado e ver que o homem ganhou
o rótulo de animal racional justamente a partir da invenção da escrita cuneiforme
(escrita em objeto de plano liso por uma ferramenta em forma de cunha),
aproximadamente há mais de 4.000 anos, quando os sumérios desenvolveram
uma escrita silábica para representar a língua falada, fenômeno que se expandiu
rapidamente entre outros povos do Oriente Médio, indo desaguar no famoso
alfabeto ocidental, que os gregos souberam tão bem tratá-lo.
E o que isso representou? Primeiramente que não se sabia nada – no
sentido documental – que a humanidade havia produzido na face da terra desde
os primórdios, desde Adão e Eva no conceito criacionista bíblico, ou desde a
aparição do primeiro macaco pensante, sob o prisma da teoria evolucionista de
Darwin. Absolutamente nada. Segundo, a partir do surgimento da escrita,
olhando em retrospecto, tudo que nós sabemos atualmente, de modo empírico,
vem dos povos que habitaram o Oriente Próximo seguido dos sumérios, em
destaque para os babilônicos, egípcios, medas, persas e hebreus, tendo este
último povo legado à humanidade conhecimentos de profunda monta de
sabedoria, de historicidade, de parábolas, de folclore, através do conjunto de
escritos chamado Bíblia, por sinal escritos amalgamados e refinados por outro
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