LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Chica
Diego da Silva Teles dos Santos
Ilhéus/BA
O sol, em sua melhor forma, se exibia no céu, enquanto o menino Pedro
Henrique, sentado na sombra de uma mangueira, observava o galinheiro. Era de
se admirar como aquele cenário o deixava entretido. Reparava com afinco o vai e
vem das transeuntes, ora no milho, ora na água, ora sem saber aonde ir.
Impressionava-se com a facilidade que as galinhas tinham para evacuar os seus
dejetos. Sentiu inveja delas. Não precisavam tomar aqueles remedinhos que a
mamãe sempre dizia ser bom para liberar a flora intestinal, muito menos ter a
sensação de que estavam sendo sempre monitoradas, na expectativa da ida ao
banheiro ao menos uma vez no dia. E quando isto acontecesse, não seria como o
menino sentado no vaso, que sentia do lado de fora, as respirações ofegantes
dos pais e de quem estivesse em casa, na torcida pelo êxito da sua evacuação.
Até Marley, o cachorro, parecia juntar-se à turma. Sentado ali, de frente ao
galinheiro, o pequeno Pedrinho, apreciando a liberdade das galinhas, desejou ser
uma delas.
As férias no interior eram recheadas de novidades, sabores, aromas e até
maus cheiros que não faziam parte da rotina na cidade. Pedrinho sabia que
voltaria para casa cheio de histórias em seu repertório. Andara de jegue,
ordenhara vaca, chupara manga e araçá, colhidas diretamente do pé. Sem falar
no visgo da jaca, que o divertia colando seus lábios. Não entendia porque a mãe
52