LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Castelo de areia
Rodrigo Duhau
Brasília/DF
As mãos trabalhavam habilmente. Materiais de construção: areia e água do mar.
Torres, muralhas. Pouco a pouco, o castelo ganhava forma e, claro, até uma certa
imponência.
Não demorou muito, e a fortaleza ficara pronta. Enfim, a história, com seu
cenário construído, poderia começar. As crianças que estavam na praia,
acompanhando e participando da edificação do castelo de areia, já desejavam a
narrativa da professora. E ela se pôs a falar:
“Era uma vez, uma princesa, que aguardava ansiosamente o príncipe. Ele, com
seus cabelos aloirados e peito estufado, viria em um cavalo branco com crina
esvoaçante. Os dois se casariam e viveriam felizes para sempre. No entanto,
havia um porém. Um porém chamado dragão, que não nutria os melhores
sentimentos pela princesa.
Quando chegou ao castelo, o príncipe se deparou com aquela fera, cuspindo fogo
pelas ventas e esbravejando aos quatro cantos:
– Por que demorou tanto?! – rugiu a princesa.
O príncipe pensou, pensou e pensou numa resposta e acabou salvando o dragão
daquela megera, que deixava o bicho acorrentado e sem comida”.
– E a princesa? – indagou Joãozinho, o menino mais curioso do grupo de
crianças.
– Por maltratar os animais, o príncipe a prendeu no calabouço e jogou a chave no
fosso do castelo – respondeu a professora.
O príncipe, o cavalo e o dragão, agora livre e alimentado, viveram felizes para
sempre.
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