LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Bar Paraíso
Charles Burck
Rio de Janeiro/RJ
Tinha um bar no inferno, onde serviam absinto e enxofre, e o teu nome escrito
no copo, faiscava
Então quando me chamas, por que o fazes?
Dói-me saber que escolhi ser livre no meio da tempestade
A liberdade não tem gravidade, gira solta assim, trança teias sem precisar das
moscas,
Ri das minhas escolhas, ri de mim
É o feto ri do gênio, das loucuras do mar, do fio de seda, do homem que pintou a
cara de palhaço
Eu perdi o senso de direção, os pingos de chuva me orientam pelo chão, temos
fortes laços sim, ligaduras entre flores e raízes
Sou um bêbado afogado nas enxurradas, nos litros de sol, com um cordão no
pescoço atado a ti,
As bandas do céu tocam Everybody's Coming To My House
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