LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Já bebi muito a tua falta, essa essência sofrida é uma armadilha de amor
Mas quem vai limpar o chão depois que tu passas?
As abstinências que chutam os baldes, os sopros de desafogos, as pétalas
arrancada ao peito aos bocados
Todo dia rego os canteiros com esse novo sentido de alucinação
Estamos cheios um do outro, cheios no bom ou no mau sentido?
Prefiro hoje tocar à noite, a minha canção preferida, do que sentir a vida, à dor
de arder a noite toda sem solução
O cheiro de anis é fatal, apenas o humor é uma ameaça à inteligência, eu sempre
fui burro de fato, um animal comendo no teu quintal
Sinto o cheiro da dor no final da rua, entre as ervas daninhas
Sinto cheiro de ti,
Sinto muito.
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