LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
O vírus do negrume
Maroel Bispo
Feira de Santana/BA
Sua pele escura ditava o compasso.
Sim. O negrume dele era um sobrepeso.
Tal qual um vírus com face de um revólver.
Ninguém sabe bem o que é isso. Só ele.
A caminhada árdua, enfim, acabou.
Nele perduraram estranhas sensações.
Por qual razão o discriminaram?
Qual crime [de fato], ele cometeu?
A arma exalou fumaça. Muita fumaça.
O estampido dos tiros zumbindo ainda.
A cena insólita a todos espantou.
E o corpo inerte jazia no mármore.
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