LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
mesmo rumo que tomei no sonho, mas desviando-me da cadeira o que impediu
que caísse. Corri até uma janela e sai pelo telhado que por estar molhado me
levou a escorregar caindo sobre uma moita de plantas quando ouvi gritos de uma
casa vizinha de uma mulher que vociferou "o assassino!"
Tudo se apagou novamente diante das minhas vistas, quando abri os olhos
fitei diretamente aquele mesmo garoto sobre mim que agora sorria aliviado. O
menino com semblante sereno ficou apenas calado me observando quando
irrompi o silêncio dizendo.
— Quem é você? O que foi isso afinal?
— Sou seu filho.
— Nunca tive filhos, não lembro! Tenho apenas 14 anos!
— Assim como o sonho secreto não pode ser acessado pelo que não se
lembra dele o senhor não pode se lembrar do que ainda não existe no seu
mundo.
— Não me chame de senhor... Você está morto?
— Todos um dia morrem, todos inclusive os mortos do futuro passam aqui.
Mas te salvar ao menos me valeu viver, agora acorde.
O menino então me narrou como ele viria a morrer como um pedido para
que ciente da possibilidade vindoura houve também a possibilidade de evita-lo.
Ao ouvir aquilo despertei subitamente ainda que pensasse naquele sonho estar
desperto. Ao abrir os olhos novamente fitei o lugar na esperança de ver aquele
garoto que nunca havia visto antes, mas ao invés disto vislumbrei luzes
oscilantes de azul e vermelho. Era a polícia. A senhora que havia gritado estava
do lado dele relatando o ocorrido enquanto um outro policial me observava e ao
ver-me despertar vociferou ao parceiro.
— Ele está bem! Vamos garoto o que aconteceu aqui?
— Um homem tentou me matar, eu acho.
— Sim a senhora da casa ao lado reconheceu ele do assassinato anterior aqui
ocorrido, por pura coincidência.
Pus a mão na cabeça e percebi que o livro havia desaparecido, fitei o policial
e me indaguei: como assim coincidência?
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