LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
O Sonho Secreto
Gerson Machado de Avillez
Rio de Janeiro/RJ
Há muito se ouvia um rumor distante que como murmúrio repercutiam
palavras temerárias de que a silenciosa mansão dos Figueira guardava segredos
angustiantes dos pós-vida. Os relatos são sempre genéricos em concordar com
visões tenebrosas de vultos e ruídos malditos, assim como de terríveis pesadelos
que tomavam de sobressalto seus visitantes. Os maldizentes lábios dos incautos
que se aventuravam na mansão abandonada dizem se tratar dos ecos da
existência do dono da residência que lá fora assassinado há quatro anos, porém,
não param por aí. No torpor da letargia onírica os relatos mostram não somente
o dono Augusto Figueira desatinar em prantos como clama para que
supostamente um crime similar não ocorra novamente. Os padrões
perturbadores em todos esses sonhos vão além, mostram um garoto lendo um
misterioso livro, pouco antes de ser morto por um psicopata qualquer que sendo
boçal acreditava cumprir uma profecia diabólica.
O livro outrora era conhecido apesar de nunca visto, se tratada do Libro Ad
Somnium ou segundo alguns com a alcunha em alemão de Das Buch der Träume
que nunca tradução livre significa “O Livro dos Sonhos”. Sendo esse livro real ou
não acreditando ele se tratar da chave para desvelar o mistério funesto parti ao
encalço do mesmo a fim de que cortasse de vez do véu que encobria de modo
profano a verdade.
Todavia pesquisas na internet não surtiram satisfatório efeito a não ser pistas
que indicavam fóruns da deep web conhecido como os esgotos da internet onde
toda sorte de males, depravações e crimes eram ocultos da grande maioria.
Naturalmente não tinha muito tempo até minha mãe chegar e pegar-me
navegando naquela torrente de lama digital.
Com labor consegui adentrar as vísceras daquele submundo quando um
misterioso homem sob o nickname de Anil me abordou quando questionava sobre
o livro. Fora a partir dali que as respostas surgidas me levaram ainda mais
questionamentos. Segundo Anil o livro era de autoria de um homem chamado
Heidi Ofir que afirmava que os sonhos existiam independente do ser humano ou
animais, mas por si só tinha vida como se fosse uma dimensão, ou dimensões
próprias, independente do nosso universo. O relato de Ofir ocorria após suas
desventuras num futuro distópico ao adentrar um turbilhão onírico onde teria se
perdido nas brumas da incógnita. Aqueles sonhos aparentavam ser mais longos
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