Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 130

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 que aquele bicho vai ser sorteado no outro dia. Eu aposto e ganho. E tudo isso é porque me sentei para observar o céu e perceber como sua nudez é vestida com os arremedos da terra. Que coisa maravilhosa! São nestes dias que o céu conversa comigo em formas verbais de nuvens. O desvestimento é a sua linguagem. Mas o segredo destas conversas é que elas só acontecem de quando em quando, pois não se deve conversar com o Céu todos os dias, pois senão se arrisca a ficar nú. Quando não achar mais nada na terra com o que se vestir é capaz dele pegar nossos corpos e deixar as almas nuas. Aí é que o povo ira falar - e a Beleza deu uma risada - dizendo que estamos fazendo sem vergonhice. Por isso, nos outros dias, faço meu colorau e ganho a Canaan vendendo ele como desculpa para contar as histórias que me inventaram nos caminhos. O colorau é a coisa que me desterra das apostas, me aproximando dos caminhos que o céu gosta de vestir. Quem sabe um dia alguém olha pro céu e me ver caminhando lá! Ela falava isso com a certeza de que um dia seu colorau lhe traria outros caminhos e dizia essas estórias para desconversar o povo das orações que fazia em mistério para conhecer os segredos das apostas nos bichos. O certo é que ninguém podia com a Beleza e era melhor apostar com ela nos bichos, pois era certo que eles seriam sorteados, assim como era certo seu sorriso ao oferecer o colorau... 127