LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
que aquele bicho vai ser sorteado no outro dia.
Eu aposto e ganho. E tudo isso é porque me sentei para observar o céu e
perceber como sua nudez é vestida com os arremedos da terra. Que coisa
maravilhosa! São nestes dias que o céu conversa comigo em formas verbais de
nuvens. O desvestimento é a sua linguagem.
Mas o segredo destas conversas é que elas só acontecem de quando em
quando, pois não se deve conversar com o Céu todos os dias, pois senão se
arrisca a ficar nú. Quando não achar mais nada na terra com o que se vestir é
capaz dele pegar nossos corpos e deixar as almas nuas. Aí é que o povo ira falar
- e a Beleza deu uma risada - dizendo que estamos fazendo sem vergonhice.
Por isso, nos outros dias, faço meu colorau e ganho a Canaan vendendo
ele como desculpa para contar as histórias que me inventaram nos caminhos. O
colorau é a coisa que me desterra das apostas, me aproximando dos caminhos
que o céu gosta de vestir. Quem sabe um dia alguém olha pro céu e me ver
caminhando lá!
Ela falava isso com a certeza de que um dia seu colorau lhe traria outros
caminhos e dizia essas estórias para desconversar o povo das orações que fazia
em mistério para conhecer os segredos das apostas nos bichos. O certo é que
ninguém podia com a Beleza e era melhor apostar com ela nos bichos, pois era
certo que eles seriam sorteados, assim como era certo seu sorriso ao oferecer o
colorau...
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